quinta-feira, 23 de março de 2017

CHAMETZ.....




A IMPUREZA E A PUREZA:

“Não comereis nenhuma coisa levedada;
 em todas as vossas habitações comereis pão ázimo”(Ex. 12,20)

A proibição se faz apartir das 12 h dia 14 de Nissan.
O que é Chametz? Trigo, centeio, cevada, aveia que tenham permanecido em água durante 18 minutos. Comida ou bebida feita de um destes cereais.
É proibido o uso de panelas, pratos e utensílios que tenham tido contato com Chametzs. Os fogões devem se tornar kacher. É comum entre os Askenazim não comer: arroz, milho, amendoim, e verduras que frutificam em vagens.
Existe um ritual de busca do Chametz (Bedika Chametz), realizado após o anoitecer. Antes da busca deve-se dizer a seguinte Benção:

Baruch atá Ado-Nai Elo-Heinu MeleKh HaOlam,
Asher KideShanu Be Mitsvotav Ve Tsivanu Al Biur Chametz.
Bendito Sejas Tu, Ó Eterno, nosso D-us, Rei do Universo,
que nos ordenou a destruição do Chametz (da negatividade)

É comum usarmos uma colher de pau como receptáculo e uma pena para recolher o Chametz, com isto a colher faz o papel de uma vasilha que conterá o mau e por ser de madeira a manterá ali, sem influir no conteúdo, e o conteúdo sem influir no ambiente, a pena é usada para que não se tenha contato com a negatividade do Chametz. Depois de encontrado o Chametz escondido ou não, faz-se a seguinte declaração de Nulificação:

Todo o fermento e todo o Chametz
 que se encontra em meu poder
 e que eu não tenha visto e não tenha destruído,
 seja nulo e propriedade pública, como o pó da terra.

Quando se abre um processo ou ato que, no caso de purificação, deve-se ao final, dar por encerrado, para que nos céus e as entidades (energias de luz) possam terminar seu trabalho.
O Chametz será queimado na manhã seguinte. Sua queima é o Din (julgamento).
Quem faz a busca não deve conversar, apenas estar concentrado nesta limpeza, para que a mesma ocorra.
Queima do Chametz: Realiza-se até uma hora antes da permissão de comer o Chametz. Queima-se em forno ou fogueira e diz-se:
Todo o fermento e todo o Chametz
 que se encontra em meu poder
 e que eu não tenha visto e não tenha destruído,
 seja nulo e propriedade pública, como o pó da terra.

São vários os símbolos do desejo de receber para si, que representam o mal e a impureza, o pão é um destes elementos (levedura), pois possui uma natureza metafísica semelhante a esta energia, por isto existe a idéia da necessidade de repartirmos o pão.
A massa fermentada tem como principal característica crescer e inchar, azedando levemente, simbolizando o orgulho e a ostentação, raízes da prática do mal.
Devemos limpar todo o mal uma noite antes do Seder, quando iremos receber a luz da consciência e liberdade (a revelação de D-us). É costume esconder 10 porções de Chametzs na casa (correspondendo as 10 sefirot), o que assegura que a busca foi detalhada e para que não se diga nenhuma benção em vão, e assim agir física e metafisicamente.

Existe uma semelhança nas palavras (estrutura metafísica similar): Chametzs e Matza (alimento de fé), uma é escrita com o Chet, a outra com Heh. Isto denota que a matza contêm menos desejo de receber. Pois o Chet simboliza a palavra corda (Chevel), desejo (Chesek), pecado (Chet), em seu hierógrifo temos uma abertura da letra para baixo, representando o norte, que está aberto recebendo todo o mal ou o bem, abri portas para o livre arbítrio. Nesta casa fechada é onde se guarda e recolhe os bens para uso próprio. Representa Yesod (passado, ego, influências), os órgãos masculinos, as duas pernas representam os ductos de saia de resíduos (mal) e de esperma - reprodução (bem). Representa a “besta”- o quadrupte que olha de perfil, a violência, o rudimentar do animal. Esta letra não consta nos nomes das tribos sagradas.

Enquanto isto, aletra Heh, nos traz o nome de D-us, o nome de Abraão que foi completo com está letra, fazendo-o inteiro e igual a D-us. Representa a ação, o movimento (braços e pernas), sua palavra é o artigo O, iluminar (Hair), foi a letra usada por D-us para criar o mundo, pois aparece duas vezes no nome de D-us (tetragrama). Simboliza os 5 níveis da alma, os 5 dedos da mão, aquele que mantem a posse, aquele que constroi e que estende sua mão. A letra simboliza o real e determinado. Como completa palavras no feminino carrega tudo aquilo que expressa o amor e a paixão do Homem. Por seguir a letra Dalet, mostra que a porta aberta deve ser aproveitada por outras pessoas.

Além do que a matza é plana e compacta, sugere a humildade, recato e o auto-controle.
Falar a benção faz com esta atue como cabo de transferência metafísica para alcançar e ter os objetivos. O uso da vela está ligado ao desejo de receber e compartilhar (luz).
A 1º etapa da destruição das impurezas é a etapa de Malkut, do reino, da carne, o que acaba por representar as klipot pessoais, e assim sucessivamente, onde cada impureza representará uma parte de nossa vida: O corpo físico, os sentimentos e emoções, os pensamentos, o ódio, a raiva, a vaidade, o poder e domínio sobre os outros, a injustiça, a rigidez, a entrega excessiva e as intenções negativas.

Os diferentes aspectos de Pessach faz com que possamos fazer diferentes tipos de conexão com a força, sua natureza é o equilíbrio entre as colunas da esq. e dir.
Nos conectamos com a estrutura das dez sefirot, é uma transferência de energia.
A coluna central tem um papel especial. Este é o simbolismo das ombreiras de porta, pois representam um sistema completo de 3 colunas, que foi nos dado para nos permitir a libertação.

O preceito mais importante deste momento festivo, ou momento cósmico é o do pão ázimo, ou Mátza, além de ser a época de nossa libertação (Zeman Heiruteinu), pois está ligada a coluna do meio.

“... e passarei por cima de vós e não haverá entre vós praga para destruir-vos...”(Ex. 12,13)

A partir desta passagem a idéia de oferenda pascal acontece para recordar suas promessas.

Pessach marca a colheita da 1º safra na terra de Israel, sendo a cevada a principal.
“Sete dias comereis pão ázimo”(Ex.12,15)


Característica da Matza: feita com água e farinha, seu tempo de preparo e contato água + farinha não deve passar de 18 min.

domingo, 5 de março de 2017

PURIM.....




Qual a tradição de Purim?

Ler a historia, chamada de Meguila de Esther. E antes da leitura devemos rezar:
"Harajaman Hu Yaase Lanu Nisim Veniflaot Kemo Sheasa Laavotenu Bayamim Hahem Bezman Haze, Bime Mordajai.... (O D's clemente nos fala de milagres e maravilhas que fez a nossos antepassados em nossos dias, nesta festa, no tempo de Mordechai...)”

Lê-se também o Salmo 128 e no dia 24 o Jejum.

 Purim possui uma festa considerada como um Carnaval (Baile de Mascarás).
A palavra significa Sorteio.
Purim deriva de PRU = frutificai e multiplicai, pru significa fértil, mas também indica Pirumim, migalhas

A historia da Rainha fala em detalhes sobre a doação de presentes e caridade, traz segredos de como vencer o mal, as energias de aniquilamento. Para a Kabbalah isto é um código de como nos conectarmos com a energia do momento e destruir todo o mal que nos acompanha, assim é costume fazermos neste dia caridade, damos presentes, fazemos coisas boas para pessoas necessitadas e/ou amigos, para alegra-los. O importante é lembrarmos que toda e qualquer caridade ou presente deve ser dado de coração e recebido com desejo.
Quando damos algo e aquele que recebe acha que não merece ou se sente mal, entramos em contato com o pão da vergonha, e com isto, não revelamos luz! Assim é o que ocorre com a gente, desejamos algo, e ao ter perdemos, ou não conseguimos conquistar algo, isto por que o Pão da Vergonha esta ali. O não merecimento.
Neste período podemos combater este obstáculo que nos impede de sermos felizes.
Existem três obrigações em Purim, ler a Meguilá, fazer caridade e ter alegria.

A festa de Purim, tamanha é a energia que nos chega que ela é conhecida como a festa da Alegria, do riso. Diz-se que ela é a festa do corpo, enquanto Yom KiPurim (dia do Perdão) é a festa da alma!
Este é o mês do riso. “Antes do milagre de Purim  D'us escondeu sua face” – o nome de D'us não aparece no livro de Esther. Esconder a verdadeira identidade, ser outra, revelar-se através da essência. É a percepção entre o Eu e o Ego. Dizem os sábios por causa disto: Bebe-se em Purim até o ponto de não saber mais diferenciar entre o bem e o mal, entre o Ego e o Self  (corpo e alma).
Em Purim estamos levando nossa consciência para os nossos desejos físicos, para tudo que esta na memória física, um outro eu, que atua em nossa vida sem nos darmos conta. Em Purim, nos soltamos de nossos medos, culpas, magoas e desconfianças, por isto, bebemos até não conseguirmos diferenciar e nos soltar destas amarras que nos sufocam.


Purim é quando o Eterno nos dá, ou mostra o que está para acontecer, como diz à frase:
"Eterno antecipa o remédio da enfermidade”, pois abrem as possibilidades que o mal/corpo/desvios não deixavam.
Conforma a tradição nos conta, Moshe instituiu este dia como um dia de invocação e ajuda de D’us  para a salvação.
Mas que salvação? Haman, bandido da historia é como Amalek, personagem da Torá, eles representam os arquétipos do mal, representam toda e qualquer energia que nos deseja aniquilar. A duvida, os conflitos, a fragmentação interna, toda e qualquer energia que nos coloca em conflito, cheios de raiva, vingança, medo, culpa, que nos tira de nossas verdadeiras crenças, quando trocamos ou ficamos inseguros de nossa identidade ou essência espiritual, e assim, ficamos expostos ao perigo de Amalek/Haman (diríamos que são códigos para o que Jung chama de Complexos).


“ Caso te sintas angustiado, precisas saber que este sentimento não nasce em ti, ele te chega do exterior, ele te é comunicado por amalec, um enganador...Então lembra-te da lição de Purim: Obriga-te a estar contente apesar da situação e verás  a muralha da tua angústia ruir como uma miragem...” Rebe  Nachman de Breslav

Assim veremos que estes tiranos são apenas enviados da mão de D'us (Providência Divina), para nos lembrar de nossas obrigações e de nossa ligação com Ele.


Purim é um ritual de transformação, onde passamos a ocupar uma outra identidade, a mascara pode ser encarada como uma forma de chegarmos mais próximo de outras facetas nossas, reconhecer outras faces do ego, ou simplesmente ele serve como uma proteção da luz divina, ou ainda, a mácara tem a função de nos esconder, isto porque, em Purim bebemos ate não mais diferenciar Mordechai ou Haman, bem, quem é Haman, ou Mordechai, podem ser uma só pessoa??? Podem representar nós mesmos, abençoados e amaldiçoados.



Chag Sameach – Feliz Festa!

ECLIPSE E A ESCURIDÃO

Voce tem medo do escuro? normalmente temos, normalmente não desejamos situações de escuridão em nossas vidas. A kabbalah nos mostra at...